Vitória, sim, tivemos uma vitória inquestionável, mostramos nossa insatisfação não só com os baixos salários, mas também com as péssimas condições de trabalho, a terceirização, o sucateamento e o índice crescente de assaltos. A grande mídia, de início sem dar maiores atenções a nossa greve, ao perceber a força da nossa união, teve que dobrar-se a verdade dos fatos e não passou-se um dia, sem que a greve fosse citada nos grandes meios de comunicação.
Conseguimos fazer com que o presidente da empresa fizesse papel ridículo perante a imprensa, pois enquanto ele dizia que a greve não tinha nem 19% de adesão ao mesmo tempo pedia na justiça um efetivo mínimo de 40%.
Nós, trabalhadores e trabalhadoras ecetistas que aderimos a greve, temos a consciência de que lutamos por melhores condições de trabalho para nós mesmos e para nossos colegas, nosso sacrifício, por certo, não será em vão, mostramos ao Brasil a intransigência e o autoritarismo que são a face mais obscura da ECT. Nossa coragem hoje será o combustível para nossa lutas futuras.
A decisão do TST provou que é preciso ampliar ainda mais a união de nossa categoria. Os trabalhadores sempre estão do lado mais fraco da corda, por isso é importante tirar uma lição da greve, precisamos estar juntos, fortalecer o movimento sindical, sozinhos é muito mais complicado; a união é fundamental para buscar aquilo que é nosso de direito. Hoje não conquistamos aquilo que todos nos queríamos, mas isso não significa derrota.
“Saímos feridos mas não estamos mortos".
Foi um movimento que nós trabalhadores nos orgulhamos. Acatamos a decisão da Justiça de cabeça erguida, com o sentimento de missão cumprida. Por outro lado, a empresa não conseguiu impor todas as suas vontades.
Os ecetistas tiveram muita coragem para enfrentar a intransigência da direção da empresa e a decisão do governo de não conceder aumento para ninguém e tentar usar a categoria como exemplo para as demais estatais. Mas nossa resistência nos tornou exemplo de luta para outras categorias.
A Crise internacional foi usada como desculpa
A decisão do governo de não conceder aumento estava diretamente ligada ao medo de que a crise internacional contamine o Brasil. Uma forma que ele encontrou para enfrentar a situação foi conter os gastos e fazer caixa. Para isso cortou bilhões dos gastos sociais e passou a segurar os aumentos salariais.
A combatividade da categoria acabou desmascarando a postura do governo frente à crise econômica mundial. Em vez de combatê-la valorizando os salários como forma de reforçar o consumo interno (como ocorreu em 2008), o governo escolheu o caminho de arrochar salários e fazer caixa para salvar banqueiros e empresários.
Luta trouxe avanços
Mesmo com toda a dificuldade, houve avanços. Um dia antes da greve, a proposta da empresa era reajuste de 6,87% e só. Nada de aumento real. É pouco frente ao que queríamos, mas conseguimos arrancar o aumento real de R$ 80,00 em outubro, mesmo com o governo batendo na tecla de não conceder aumento real em hipótese alguma. Vale repetir: só não avançamos mais devido à acentuada intransigência da empresa e do governo.
Mesmo assim nossa categoria foi a que teve maior aumento até agora. Apesar das críticas dos derrotistas de carteirinha, o aumento real conquistado nesta campanha salarial, não foi o que queriamos. Mesmo assim ele é o maior aumento conquistado pelas outras categorias que fizeram campanhas salariais este ano, e estamos a apenas dois meses do final do ano. Para o piso inicial de nossa categoria representa um aumento linear de quase 10%, que somado ao reajuste de 6,87%, chega a um total aproximado de 16,87% . Nenhuma outra categoria conseguiu chegar nem perto disso.
Não se deixem abater pelas críticas
Não é o crítico que importa nem aquele que mostra como o homem forte tropeça, ou onde o realizador das proezas poderia ter feito melhor. Todo o crédito pertence ao homem que está de fato na arena; cuja face está arruinada pela poeira e pelo suor e pelo sangue; aquele que luta com valentia; aquele que erra e tenta de novo e de novo; aquele que conhece o grande entusiasmo, a grande devoção e se consome em uma causa justa; aquele que ao menos conhece, ao fim, o triunfo de sua realização, e aquele que na pior das hipóteses, se falhar, ao menos falhará agindo.
“Talvez não tenhamos conseguido fazer o melhor, mas Lutamos para que o melhor fosse feito!”
Agradeço e me sinto honrado por ter participado de mais esta luta ao lado de vocês, trabalhadores ecetistas tenham certezam que esta campanha, vai ser lembrada por muito, muito tempo, por que em 2011 nós fizemos história.
Muito Obrigado
Kiko

