Toda política de melhoria salarial existente atualmente foi fruto da mobilização e da capacidade de pressão da categoria. Foi por causa da greve que a direção da empresa voltou a abrir as negociações e apresentar uma nova proposta da categoria. Quem luta sabe que também foi na última greve que conquistamos R$ 100,00 de reajuste linear para todos, adicional para atendente, OTT e Carteiros, esta última função com o acréscimo de 30%.
O Abono salarial é uma estratégia das Empresas para não dar aumento real a seus funcionários, uma vez que este valor não agrega nada ao salário do trabalhador, é apenas uma medida paliativa, que se aproveita da fragilidade do funcionário que muitas vezes vislumbra neste uma oportunidade de quitar alguns débitos, ou adquirir algum bem, esquecendo que para efeitos da próxima negociação salarial seu salário permanecerá o mesmo sem aumento real.
Quem entrou na ECT antes de 1995 passou pelo arrocho salarial dos trabalhadores ecetistas no governo do então presidente FHC, onde ficamos por oito anos consecutivos sem reajustes salariais através da política maldosa dos abonos salariais e reajuste zero, que gerou uma grande defasagem salarial para os ecetistas. Para se ter uma idéia do rombo causados em seus salários, no governo Itamar Franco que antecedeu FHC os salários iniciais de um Carteiro e de um Policial Militar no estado de São Paulo eram semelhantes, hoje em 2011 o inicial de um de um Policial Militar que não passou pelas políticas de abono é R$2.387,00 já o de um Carteiro é R$ 807,29.
E este prejuízo não se reflete apenas no seu salário, reflete no valor depositado no seu fundo de garantia, adicional de risco ou OTT, anuênio, quebra de caixa, nas suas férias, no seu décimo terceiro, Postalis, INSS, na devolução do imposto retido, etc...
Mesmo assim existe um grupo, apresentando um calculo do “Malba Tahan” paraguaio onde eles aproveitam da preguiça mental de alguns, e dividem o valor do abono pelos meses do ano e tentam convencer os trabalhadores, que os sindicalistas erraram em não aceitar o abono. Só esquecem de lembrar os trabalhadores que sobre aquele valor não incidem adicionais ou encargos e que ele não estará ali no próximo ano.
Na verdade o abono só seria mais vantajoso que o aumento real para o trabalhador que pretende pedir demissão da Empresa no próximo mês, o que infelismente não é o caso dos reclamantes.
Quem não participa de uma Assembléia de sua categoria está abrindo mão de seu direito de escolha, para aqueles que participam de assembleias decidam por ele, da mesma forma que aquele que não participa da luta espera que os outros lutem por ele. Depois nos culpam, alegando não estarem satisfeitos com as decisões dos sindicato. Nos não decidimos apenas encaminhamos as decisões quem decide são as assembleias e não a Diretoria, tivemos um bom exemplo disso no dia 05/10/2011 onde apesar do acordo firmado pela Fentect os trabalhadores decidiram manter a Greve e irem para o tudo ou nada no TST. E se acham que ao se distanciarem do sindicato irão enfraquecer as próximas lutas, essas pessoas não aprenderam nada e continuam tomando veneno na esperança que os outros morram.
O ABONO É PREJUDICIAL AO TRABALHADOR
E NOSSA POSTURA SERÁ SEMPRE PELO AUMENTO REAL


